Brasil conquista 100º ouro na história das Paralimpíadas

Foto: Wander Roberto

Com a conquista do fundista Yeltsin Jacques, que ganhou o título dos 1500m T11, no atletismo, nesta segunda-feira, 30, o Brasil chegou a 100 medalhas de ouro conquistadas em Jogos Paralímpicos. O país se tornou o 23º na história da disputa a atingir a respectiva marca.

Muito do acelerado crescimento brasileiro como uma das potências nas Paralimpíadas se deve ao financiamento estatal contínuo, previsto nas Lei Agnelo/Piva, iniciado em 2001. Entre os jogos de 1972 e 2000, haviam sido somente 23 medalhas conquistadas e, logo na edição de Atenas, em 2004, os resultados começaram a aparecer, com 14 honrarias douradas.

O desenvolvimento do país seguiu nas disputas dos jogos seguintes, tendo conseguido 16 ouros em Pequim-2008, 21 em Londres-2012, na melhor campanha da história, e 14 no Rio-2016.

Na edição atual dos Jogos Paralímpicos, o Brasil já subiu ao lugar mais alto do pódio um total de 13 vezes, sendo que ainda resta mais da metade das provas para serem realizadas. Com isso, fica a expectativa que o recorde de Londres possa vir a ser quebrado em Tóquio.

O possível feito poderá ser atingido após mais um novo marco em relação ao financiamento público do movimento Paralímpico. Até o ano de 2015, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) recebia cerca de 15% de uma fatia de 2% do arrecadado pelas Loterias e, desde então, o cálculo subiu para 37,04% de 2,7% do arrecadado.

Em números totais, isso significa que o CPB, que até 2015 tinha menos de R$ 40 milhões ao ano pela Lei Piva, passou a ter sempre mais de R$ 120 milhões. Só no ano passado foram R$ 163 milhões, de acordo com levantamento da Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados.

Com a mudança, o país saiu de cerca de R$ 40 milhões investidos através da Lei Piva e saltou para mais de R$ 120 milhões. Somente no ano passado, a Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados informou um investimento de R$ 163 milhões.

Modalidades

Atualmente, o atletismo é a modalidade que mais contribui para o feito das 100 medalhas de ouro conquistadas pelo Brasil. Ao todo, foram 48 conquistas, enquanto a natação aparece logo atrás, com 36.

Até a edição de Tóquio, o Brasil só havia ganhado ouro em outros quatro esportes: bocha (seis), judô (quatro, sempre com Tenório), futebol de 5 (quatro) e esgrima em cadeia de rodas (um). Na atual edição a lista cresceu com o halterofilismo, graças ao ouro de Mariana D’Andrea.

Quadro de medalhas

Se puxar um ranking de todos os Jogos Paralímpicos disputados até hoje, o Brasil apareceria com o 22º colocado, tendo ultrapassado este ano a Rússia, que só participou de cinco edições e tem seus atletas disputando Tóquio-2020 por uma equipe neutra, e agora o México, que também alcançou seu 100º ouro, no domingo, mas tem menos medalhas de prata.

Os próximos da fila são Dinamarca (com 101, pode ser ultrapassada ainda nesta terça-feira), Áustria e Noruega, países europeus que perderam força depois de 1992.

*A Tarde