PP aguarda resposta de Bolsonaro sobre filiação até novembro

O Partido Progressista (PP) aguarda até o mês de novembro uma resposta do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre uma possível filiação à sigla,  que já abrigou o então deputado federal Bolsonaro durante 12 anos no Congresso Nacional. 

A possível ida de Bolsonaro ao PP, partido que mantém estatutariamente alianças estaduais divergentes da majoritária nacional, pode trazer complicações para as correlações de força política nos estados. 

O PP dá sustentação ao governo de Jair Bolsonaro no cenário nacional, enquanto que na Bahia compõe a base do governador Rui Costa (PT). A maior questão com a eventual entrada de Bolsonaro à legenda é se o movimento faria ruir alianças com partidos hoje oposicionistas ao governo federal, como é o caso do PT.

O líder da bancada do PP na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), o deputado estadual Eduardo Salles, descartou uma ruptura com o PT na Bahia caso Bolsonaro decida se filiar novamente ao PP.

“Digo com tranquilidade, como líder do da bancada do PP, de que nós temos uma cláusula pétrea no partido, no PP, de que nós teríamos a autonomia nos diretórios municipais e estaduais. Então, caso o presidente Bolsonaro confirme que virá pro partido,  nós temos, sim, a autonomia dos diretórios estaduais de tomar nossas decisões”, disse Salles. 

De acordo com o deputado, o PP da Bahia tem “uma história de vida” com a base do governador Rui Costa, união que, segundo o parlamentar, fez a “Bahia acontecer”. Salles pontuou que Bolsonaro terá que respeitar as conformações estaduais, caso opte por entrar no PP. 

“Então te garanto com tranquilidade que nós do PP [da Bahia] teremos, sim, sempre a Cláusula Pétrea à nossa disposição e a autonomia aqui no estado da Bahia pra fazer e andar conforme a  gente acredita. E nós acreditamos no grupo que estamos juntos há quatorze anos.”

“Manteremos nossa independência e nossa decisão aqui na Bahia já está tomada, que é continuar com o governador Rui Costa essa caminhada que tem acontecido aqui de sucesso. Essa é a minha minha palavra”, completou Salles. 

Para o deputado federal baiano Cláudio Cajado (PP), caso o PP aceite a filiação do presidente Jair Bolsonaro, torna-se necessário, sim, uma discussão sobre as alianças nos estados. Segundo Cajado, Bolsonaro traz mais “solução” do que “problemas”.

“Ele [Bolsonaro] traz mais solução do que problemas na maioria dos estados. Aqui na Bahia teríamos de discutir entre a direção estadual e a nacional do partido a permanência ou não da aliança estadual com o PT”, opinou.