Dominadoras em âmbito local, Mulheres de Aço projetam evolução para crescer nacionalmente

O Bahia sagrou-se campeão baiano feminino de futebol no último sábado, 16, em Pituaçu. Além do massacre na final, com o 4 a 0 sobre o Doce Mel, as meninas desfilaram contra as demais rivais – destaque para as goleadas de 7 a 0 e 6 a 0, sobre Fluminense de Feira e Vitória, respectivamente. Perderam apenas o primeiro jogo da decisão, por 1 a 0. De resto, foram sete triunfos e um empate, 25 gols marcados e apenas dois sofridos – terminou como líder em ambos os critérios.

Estrela do ataque, Gadu marcou três gols na final e deu passe para o outro – anotado por Dan. A camisa 9 retornou ao Esquadrão em julho, depois de deixar o Tricolor no início do ano para disputar a Série A1 pelo Real Brasília. Na ocasião, a atacante foi acusada de ‘traição’ pela torcida, mas o carinho parece já ter retornado com os 11 gols ao longo do certame, e mais uma artilharia na conta – aliás, Gadu foi artilheira em todas as competições que disputou pelo Bahia.

“Gadu é uma atleta que tem um potencial muito grande. A gente confia muito no trabalho dela. Não só na parte técnica, tática e a contribuição que nos dá dentro de campo. Mas também junto com o grupo de atletas ela tem uma importância grande”, elogiou Igor Morena, técnico das Mulheres de Aço.

O treinador ainda respondeu sobre a questão da polêmica saída da atacante, mas minimizou o assunto, e celebrou o retorno e a história que ela vem escrevendo. “É claro que houve nesse processo de saída um desentendimento, mas ela quis retomar a carreira dela no Bahia, né? No clube pelo qual ela tem um carinho muito grande, no qual ela vem fazendo história. Não à toa ela já foi duas vezes artilheira, então a gente tem muita confiança nela, carinho muito grande por ela”.

Neste ano, o Tricolor fez sua estreia na elite do futebol feminino, mas com uma participação terrível: não obteve nenhum triunfo, e foi rebaixado na lanterna à Série A2. O próximo compromisso oficial já marcado é apenas em 2022, quando as disputas nacionais retornam. O objetivo agora, portanto, é conquistar o acesso, e, quem sabe, o título da Segunda Divisão.

Com os pés no chão

A capitã do Bahia, Fabi Ramos, manteve discurso pé no chão. Avaliou como positiva a campanha pelo título do Baianão, que pode servir como experiência para futuros trabalhos. No entanto, a equipe ainda precisa tomar cuidados e trabalhar duro: na Segunda Divisão não tem jogo ganho.

“O que a gente precisa é trabalhar bem mais do que a gente trabalhou na Série A1. Ter mais atenção, com certeza. Porque também não é um campeonato fácil, o Brasileiro Série A2. Vamos treinar firmes e fortes para conseguir reverter essa imagem nossa no Brasileiro, da campanha ruim. Creio que a gente vai fazer uma nova história e vamos, sim, fazer boa campanha e assim ir em busca do título, e do acesso também”, analisou a meio-campista tricolor.

Questionado sobre o impacto gerado pela saída de Gadu para a disputa da Série A1, e se a história poderia ser diferente com a presença dela, Igor Morena não tratou de minimizar. Para o treinador, a perda da artilheira e de outras jogadoras representou um grande problema. “Na realidade, não só a saída de Gadu, como de algumas atletas que a gente teve no início de trabalho, acabou nos trazendo um prejuízo técnico, no qual nos trouxe algumas dificuldades. Inclusive na reposição dessas atletas. Mas são conjecturas. É difícil falar se daria certo, se não daria certo”, e concluiu: “A gente já pensa também, obviamente, em ajustes naturais para que a equipe possa evoluir. Acrescentar e fortalecer mais o trabalho da equipe para que a gente possa chegar na Série A2 em condições de disputar o título, ter novamente o acesso para a Série A1 e colocar o Bahia na posição que a gente já obteve: a elite do futebol brasileiro feminino”.

*A Tarde