Credores acionam empresa que administra outlet em Camaçari para receber juros

Detentores de títulos perpétuos emitidos pela General Shopping, responsável por administrar o Outlet Premium, localizado em Abrantes, município de Camaçari, estão pedindo na Justiça o pagamento de juros relativos aos papéis, e que vinham sendo postergados pela empresa. 

O adiamento era permitido, mas condicionado a uma taxa de juros adicional e a cláusulas contratuais adicionais. Ao todo, a General Shopping opera 15 centros comerciais no País. 

Os credores estrangeiros afirmam que uma das cláusulas firmadas com a empresa não tem sido respeitada. A ação ordinária da empresa (ON) –  aquelas que conferem direito a voto e participação nas decisões da companhia -, com baixa liquidez, fechou o pregão da última quinta-feira (6) em queda de 13,39%.

O movimento acontece concomitantemente ao alerta da auditoria da empresa, a BDO,  sobre “incerteza relevante” relativa à continuidade operacional do negócio. Isso acontece, segundo o Valor, em virtude da pressão das dívidas, com esses títulos em moeda estrangeira.

Em relação à disputa jurídica entre a empresa e os credores, trata-se de duas ações em andamento – uma na Corte distrital de Nova York, nos EUA, com data de julho de 2021, e na Justiça brasileira, em agosto. No país, o pedido dos investidores consta num processo em que a General é autora e os investidores são réus.

Há um mês, os credores contestaram as alegações da companhia e entraram com petição para pagamento dos juros adiados, e aqueles a vencer, no montante de U$$ 103,9 milhões – ou R$ 586,6 milhões, na cotação da data da petição. Os adiamentos permitidos no contrato tiveram início em 2015.

A General Shopping tem prazo de 15 dias para se defender do pedido, e apresentar sua defesa na ação em andamento na 2ª Vara Empresária e de Conflitos de Arbitragem do Estado de São Paulo.

Os “bonds” perpétuos não têm data de vencimento, mas a empresa tem que pagar regularmente juros (em dólar) sobre o valor principal. Os donos dos títulos que buscam o pagamento são do fundo de investimento Moneda e a holding Inversiones Odisea – da família do atual presidente do Chile, Sebastián Piñera.

*BNews